sábado, 27 de outubro de 2012

São Manuel de luto: Faleceu o "Pezão do Rádio"!



Foto: Sandro Dálio
Faleceu por volta das 15h30 no Hospital da Casa Pia São Vicente de Paulo aos 69 anos, Benedito Machado, o Pezão do Rádio, como era conhecido por todos.
Segundo informações extraoficiais, Pezão estava internado há pouco mais de uma semana no Hospital da Casa Pia São Vicente de Paulo com fortes dores na coluna e parece que também teve algumas complicações.
O corpo do Pezão está no Velório Ecumênico Nilson Benato (São Manuel) e sairá no domingo, 28, às 10h, rumo ao cemitério de Areiópolis, onde ele será sepultado.
Atualmente Pezão do Rádio era um colaborador espontâneo da Rádio Clube e agora junto com Carol Brasil tocava o programa "Mistura da Clube".
A EQUIPE CLUBE CONTINUA EM BUSCA DE OUTRAS INFORMAÇÕES
Foto retirada durante entrevista concedida a TV TEM nos estúdios da Rádio CLube
Histórico:
*Ponto de vista feito pelo Jornal O Debate, publicado em 14/08/2008.

Os são-manuelenses o conhecem muito bem, do dia-a-dia. Ele passeia pelas ruas da cidade agarrado ao seu imenso rádio portátil, que não larga por um instante sequer. É uma paixão que tem desde os tempos em que morava na roça e os velhos rádios de válvulas transmitiam as novelas de seus heróis preferidos: Juvêncio em emissora paulista, Jerônimo em estação carioca. Naquele tempo ele era Ditinho, o apelido de criança, e lembra com saudade de sua primeira bicicleta, comprada de segunda-mão, depois de ele tanto insistir com a mãe para lhe dar um dinheirinho para a aquisição. Pagou em duas vezes, e aprendeu a andar na bicicleta no mesmo dia. 
 
Ele é nosso entrevistado de hoje, Benedito Machado, o “Pezão do Rádio”, como é conhecido aqui e em terras distantes, por ter sido entrevistado várias vezes por emissoras de televisão de alcance nacional, como Bandeirantes e Record, que há cerca de 20 dias fez uma matéria com ele, para o programa “Balanço Geral”. Além do rádio, do qual não desgruda por nada deste mundo, ele anda descalço, e seus pés, já acostumados a pisar no chão duro das calçadas, parecem muito grandes. Daí o apelido que ganhou. Mas, diz que seu pai também andou descalço por quase toda a vida, portanto, isso não é novidade para ele. 
 
Pezão nasceu no dia 21 de julho de 1943, na Fazenda Pasto Velho, filho de Odilon Machado, já falecido, e Cândida Lúcia Machado, hoje com 90 anos de idade, mas muito bem disposta e alegre. Na escola municipal que existia na fazenda, ele só pôde fazer os dois anos do primário. Mas diz que aprendeu a ler e a escrever razoavelmente bem. Teve que trabalhar para ajudar os pais, e começou como cocheiro – que muitos chamam de retireiro –, com apenas oito anos de idade. Ficou dois anos cuidando da limpeza do curral e da mangueira, até que foi carpir café.
 
Aos 18 anos, já dispensado de servir o Exército, foi trabalhar como carroceiro na mesma fazenda, “puxando milho, café, feijão, arroz da roça”, como ele diz. Fez parte de uma equipe de 10 carroceiros, meio de transporte muito utilizado na época. Casou-se no ano de 1966, com Irene Romão Machado, que faleceu em 1992. Eles tiveram cinco filhos, um já falecido. 
 
Ao mesmo tempo em que conduzia sua carroça, foi aprender a ordenhar vacas na Fazenda Fartura, convidado por Quinzinho Martins, o proprietário da mesma. Aprendeu logo e permaneceu na função por cerca de quatro anos. Passou, em seguida, a trabalhar noutra fazenda próxima, a Farturinha, com Zé Côco, o proprietário. Lá também foi cocheiro durante cinco anos. 
 
Mudou-se então para Areiópolis, no começo dos anos 80, onde permaneceu durante 14 anos, sempre fazendo trabalhos esporádicos, como catador de papel e vendedor de verduras. Por volta de 1994, já com os filhos crescidos e vivendo só, pois a esposa havia falecido, veio para São Manuel. 
 
Desde 2002 está aposentado, e vive ao lado da mãe, a quem dispensa toda a atenção e carinho.
 
Pezão, quando criança, andava descalço. Mas, ao entrar na escola, a professora exigiu que ele fosse calçado. Sua mãe, então, veio à cidade, onde comprou um par de sapatos para ele, de sola de borracha (ele recorda o detalhe) na Casa Melillo. Como ela não sabia o número, os sapatos ficaram muito grandes, e precisavam ser recheados de jornais para que o moleque pudesse usá-los...
 
Nosso personagem viveu muito tempo usando calçados, e até se casou com sapatos bem lustrados. Três anos depois, numa romaria que fez para a Aparecida do Norte, sentiu desconforto nos pés, pois os sapatos eram muito apertados. Resolveu apelar para as antigas Alpargatas Roda, que lhe pareciam mais confortáveis. Só que as alpargatas deixaram de ser fabricadas, e sem se acostumar com outro tipo de calçado, Pezão decidiu andar descalço. E anda assim até hoje. 
 
Ouvinte de rádio desde os tempos de criança, como citamos no início, seu primeiro rádio ele conseguiu em troco de uma velha espingarda. E até hoje vive com seu rádio portátil – não tão pequeno assim –, que carrega por todo canto, e dorme com ele ligado ao lado da cama, “com um fone de ouvido, para não atrapalhar o sono de mamãe”, afirma.
 
Sua predileção como ouvinte está centrada nas músicas caipiras, as músicas raiz, como ele define. Mas também ouve notícias e gosta muito de acompanhar o futebol, sendo um inveterado torcedor do Corinthians, time do qual veste a camisa quase que todos os dias. Pezão escuta muito a Rádio Clube de São Manuel, onde tem uma participação especial, todos os sábados de manhã, no Programa Cristiano Castelhano. Mas ele escuta outras emissoras também, tanto locais quanto de São Paulo.
 
Pezão é, pode-se dizer, um viciado em rádio... Seu gosto pelas canções sertanejas tem uma razão de ser: ele é afilhado de Tonico, da dupla Tonico e Tinoco. Foi o falecido artista, que se foi há 14 anos exatamente, que o batizou, ainda quando os cantores eram os “Irmãos Peres” e moravam na mesma fazenda em que ele residia com os pais. 
 
Sem grandes pretensões na vida, a não ser viver com saúde e rodeado por seus muitos amigos, Pezão tem um grande sonho. Quer ter uma casa própria, “para abrigar sua mãezinha”. O terreno ele já tem, oferecido que foi pela municipalidade quando de uma participação dele num programa de televisão. A casa, diz ele, ainda é um sonho, mas afirma ter certeza de que vai consegui-la um dia.

Fonte: Rádio Clube AM São Manuel

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