quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Fé: A ousadia de deixar tudo por causa do Reino de Deus

Ir. M. Nilza P. da Silva – Adriana Seixas Pinheiro, 30 anos, de Santos/SP, fisioterapeuta, atuante em duas unidades públicas de saúde, estadual e municipal, ama a sua profissão. Há um ano e três meses, largou tudo para começar a sua caminhada vocacional e se tornar Irmã de Maria de Schoenstatt.
Deixemos que ela nos conte o que lhe deu essa coragem!
O meu chamado já aconteceu há muito tempo, mas eu sempre fugi. Fui levando uma vida cristã e me formando profissionalmente. Desde criança eu já sabia que a vida matrimonial não era para mim. Mas, eu achava que não era digna de seguir a vocação para a vida consagrada. Então, eu sempre colocava um pretexto: Uma Irmã tem que ser assim e assim e eu não sou, então, não sirvo. Com isso, fui vivendo tranquila profissionalmente.
Mas, chega um momento na vida em que se aperta. (risos) Na primeira brecha que dei para Deus, ele me deixou numa situação impossível, não tinha como não responder. Então, resolvi largar tudo.
Como você tinha certeza do seu chamado?
É quase impossível traduzir esta certeza em palavras. É algo do coração. Eu sempre tive uma relação muito boa com Deus, os momentos de oração e de eucaristia sempre foram muito bons. Só que quando via uma religiosa, uma Irmã, eu me encantava. Isso mexia comigo! Mas eu não tinha coragem de me aproximar da possibilidade dessa escolha. Eu achava que uma religiosa já era santa e não via a possibilidade de eu ser assim. Eu esperava muito de uma vocação religiosa e já queria chegar pronta. Mas, com o tempo, amadureci e vi que não é assim. Ninguém chega pronto. A santidade é uma conquista de cada dia.
Ao fazer uma análise de minha vida, desde pequena, tenho certeza que Deus me fez para ser Irmã de Maria. Conhecendo a espiritualidade de Schoenstatt e a minha história, eu não conhecia a fé na Divina Providência, mas, sempre enxergava os planos de Deus no meu dia a dia.
Você sentiu medo na hora de largar tudo e vir?
Não, eu não tive medo. Largar o emprego, para mim, foi o mais fácil. Nunca me arrependi e nunca pensei: ‘Nossa, eu tinha dois empregos públicos…’ O mais difícil foi o momento de adaptação, quando eu já estava aqui, porque tinha muita saudade de minha família.
Em que processo vocacional você está agora?
As Irmãs de Maria formam um curso para começar o tempo de candidatura, postulado e noviciado, no momento eu estou esperando que venham mais jovens para começarmos juntas. Deus teve que me esperar tanto tempo e agora eu estou esperando pelo momento de Deus.
O que foi mais difícil depois que se decidiu?
Foi a adaptação ao novo estilo de vida. Eu venho de uma cidade praiana, que tem o seu próprio estilo e, por isso, tive essa dificuldade de adaptação. Mas, a certeza de que Deus está agindo não me deixa parar. O que eu mais gosto da espiritualidade de Schoenstatt é a santidade da vida diária. É possível ser santo pelas pequenas coisas. Não é preciso esperar para se fazer grandes coisas, mas se fazermos bem as pequenas, no final do dia dá muitas coisas.
Como você conheceu as Irmãs de Maria?
Bem, eu cheguei aqui como romeira. Vim duas vezes em romaria. Na primeira vez que cheguei, já me encantei e não queria mais ir embora. Na segunda vez, foi muito interessante, porque comecei a observar mais as Irmãs e me encantei pelo comportamento delas, a forma como elas acolhem os romeiros etc. Também me encantei pelo santuário, a gente sente mesmo a presença da Mãe de Deus e é muito forte a ação de Deus.
Só que, mesmo assim, eu não tinha coragem de conversar com as Irmãs. Eu tirava foto com as que atendiam as romarias (risos). Mas, foi assim: uma senhora que estava em nosso ônibus fraturou o pé e a Irmã Gislaine nos levou para a santa casa, em Atibaia. Era bastante tempo de espera, enquanto a senhora era atendida. A Irmã estava conversando com as pessoas e eu a olhava pela janela do ônibus. Isso tudo gerava um incômodo dentro de mim. Então, eu pedi para a missionária da CMPS perguntar para a Irmã com quantos anos se podia vir para ser Irmã. Quando ela respondeu, eu disse espontaneamente: Então, para mim não dá mais, porque já passou dois anos! Mas, a Irmã me respondeu que se fosse da vontade de Deus isso seria possível ainda.
Depois disso eu não tinha mais sossego interiormente, não dava mais para continuar como eu estava. Eu dizia para mim mesma: Você já tem idade, sabe que o casamento não é para você e por que não buscar a vida religiosa se isso atrai? Então, decidi, peguei o endereço pelo site da Mãe Peregrina, escrevi duas mensagens e as deletei, sem ter coragem de enviar. Mas, na terceira vez, disse para mim mesma: O que você está fazendo? Então, mandei a mensagem. Mandei a mensagem em maio, em julho havia o encontro vocacional aqui e em setembro vim aqui para morar.
Se houver um jovem que tenha muito medo da decisão vocacional, o que você diz para ele?
Que entregue esse medo no coração de Deus e confie. Deus dá a graça para responder o chamado e, se for de sua vontade dele, de permanecer fiel. Ter medo é algo natural, mas o medo não pode ser uma barreira. Vale a pena! Independente das dificuldades, depois que dá o sim, a gente se sente realizado. Não responder o chamado pode gerar frustração e sentimento de vazio. No sentido vocacional, toda tentativa é válida. Se não for o que Deus realmente quer, você sai muito mais seguro e maduro para buscar outra opção. Mas, o primeiro passo tem que ser dado.
- Rezemos uma Ave Maria pela vocação da Adriana e nas intenções de todo chamado para a vida consagrada! Ela espera mais amigas para começar a caminhada. Você não quer ser uma delas?

http://www.maeperegrina.org.br/chamei-te-pelo-nome-assim-comeca-uma-bela-historia/

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