sábado, 4 de agosto de 2012

Festa de Aparecida: "Amar ou Odiar?" - Palavra do Reitor do Santuário!



Começo o meu comentário citando a Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 4,29-32): “Nenhuma palavra perniciosa deve sair de vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem. Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como um selo para o dia da libertação. Toda amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo”.

Assim faço referencia à Festa de Aparecida e aos comentários que surgiram nestes dias que antecedem a sua concretização.

Tal Festa, que ocorre há mais de 100 anos (consta que são mais de 150 anos de devoção a Maria nesse Distrito, devoção que, originou além do Distrito – a meu entender – também, a cidade de São Manuel), é esperada pelos fiéis e população e comerciantes (locais ou não) que alugam os espaços em volta do Santuário e de sua praça.

Na festa a população residente em volta e alguns comércios locais, também alugam a frente de suas residências e estabelecimentos para tais comerciantes instalarem suas barracas e, assim, todos ganham (não sem sacrifícios próprios) o seu sustento e de seus familiares.

Desta forma, não é só o Santuário que se beneficia com a Festa de Aparecida, ocorrida entre os dias 06 a 15 de agosto, mas, também: a população, os comerciantes (locais ou não), barraqueiros e até mesmo fiéis de outras denominações cristãs e mesmo os não crentes, que se favorecem de uma forma ou de outra, direta e indiretamente (aluguéis da frente de suas casas e até mesmo terrenos para acolher os devotos da Santa e das “barraquinhas” alugando um espaço para estacionarem os seus veículos).

Em suma a Festa não tem apenas o seu referencial econômico, mas, inclusive o bem espiritual e missionário das expressões cristãs, tudo se trata no fundo de um ambiente de evangelização, por isso, outras denominações cristãs se favorecem da Festa de Aparecida.

Dessa forma, existem sim razões para amar e também “odiar” a Festa de Aparecida. Pois, uma festa que ocorre há mais de 100 anos, sempre vai ter suas sombras (coisas que não são boas e denigrem a sua seriedade e tiram o foco do verdadeiro objetivo aos que estão de fora, e mesmo os que estão dentro, sobre a utilização da festa – objetivo central de uma festa de padroeiro e ou religiosa é sempre em primeiro lugar: expressão pública da fé, a recreação é secundário e não dá para a separar do sentido espiritual, pois o momento é sempre celebrativo e assim, festivo).

A sociedade e as leis evoluem: o que era bom e eficiente há 100 anos atrás, pode não ser mais hoje; valores que anteriormente eram vividos com mais amor e intensidade, hoje já não o são (mas isso não significa que esses valores se perderam no tempo – apenas que deixaram de ser vividos por uma parcela da população e até mesmo acabaram por se tornar assunto cultural, seja pela propaganda enganosa da sociedade atual, totalmente hedonista e marcada pelo progresso financeiro e não humano e social) e, tantas outras coisas ruins que escapam pelos vãos dos dedos e dos olhos de quem prepara e organiza e administra a Festa, muito embora sejam regidos por varias normas da própria Igreja e também da Constituição Federal e diretrizes de saúde e segurança pública, pois, o ambiente é público e aberto ao público. Assim, sempre irá ter algo para melhorar na Festa de Aparecida e, esse não é apenas um compromisso da equipe organizadora, mas de todos, inclusive da população local.

Os comentários referidos a algumas problemáticas (sombras) são preocupações que nestes exatos três anos que estou à frente do Santuário e preparação da festa vêm sendo discutidos em nossas reuniões: segurança, saúde pública, bem estar dos voluntários, como conseguir apoio dos moradores que alugam as frentes das suas residências para que não ocorram problemas no todo da festa, pois, todos saem perdendo com a violência, promiscuidade, tráfico de drogas e outras depreciações. Por isso, acredito que esses comentários vêm somar para um melhor e até mesmo consenso tanto dos organizadores quanto da população.

O que acontece de errado no que tange a responsabilidade do Santuário, todos os anos busca-se fazer o melhor, pois, muitas coisas não dependem da equipe organizadora; e muitos dos pedidos feitos a quem é de direito não são atendidos no seu todo embora se comprove o esforço em ser realizado.

Por parte da equipe organizadora há preocupação em sanar os problemas e se gasta horas em reuniões discutindo sobre e, sobretudo há também as incompreensões das questões apresentadas; acabo muitas vezes por criar certas regras (dentro daquilo que rege a posição da Igreja e da realidade local e constitucional) – a fim de sanar parcialmente, quando não há consenso, a fim de que, essas regras, possam se tornar normas (realizadas com amor e consciência despertada sobre a real necessidade – só assim se sana totalmente).

No entanto tratando-se de pessoas, o terreno a ser percorrido deve ser cauteloso e lento, embora as soluções urgentes. Por isso, o descontentamento de todos e demora nos procedimentos. Despertar consciência não é tão fácil quanto aceitar as opiniões das novelas e outros fatos que degradam a vida do homem e de instituições.

O resultado financeiro da Festa é exposto na porta do Santuário, assim terminados os serviços de contabilidade; e enviada também uma cópia para a Cúria para a declaração do Imposto de Renda. Assim como todas as entradas e saídas de cada mês, não só da festa, mas, do dia a dia da paróquia e outros eventos.

Lamento o texto ter se estendido, e sei também que, de todas as criticas que lá estavam algumas podem não ter sido respondidas, no entanto, o básico está ai e o que reporta a questões mais pessoais, podem sem dúvida ser esclarecidas também de forma pessoal (presencial e não escrita).
O fato de que essa resposta estar publicada no blog do Santuário é uma forma de que a população se sinta motivada a navegar pela página e ver na prática o que o Santuário faz com o dinheiro da Festa e o andamento espiritual e missionário da paróquia. Nesse blog além de expor as atividades, também queremos mostrar através delas o esforço em sermos agradáveis a Deus, conforme contido de forma indireta na passagem de São Paulo aos fiéis de Éfeso na parte superior do texto.

Atenciosamente e abençoando

Padre Rogério Zenateli – reitor do Santuário.

Texto postado originalmente no Olhar Acolhedor.

2 comentários:

  1. O Padre Rogério foi muito feliz na exposição. Muitas vezes reclamamos da falta de transparência da Igreja Católica, porém quantos terim se dado conta das colocações efetuadas. Tenho, contudo, uma observação.... apesar da obediência que deve ser devotada ao Pastor da Arquidiocese e das contribuições a serem direcionadas à Curia, julgo estas um tanto quanto exageradas tendo em vista as necessidades pastorais e sociais a serem cumpridas pela paróquia local.
    Gílson de Lima Garófalo

    ResponderExcluir
  2. O que estão querendo é tirar o FOCO da festa para praticar uma politicagem. Desculpem, mais este não é o FOCO.

    Parabéns a todos os organizadores, são poucos os que ajudam para que esta festa se realize todo ano.

    Amigos e amigas, fiquem atentos, segue texto abaixo para reflexão!!

    "É comum confundirmos política com politicagem. Precisamos separar o joio do trigo. A política é importante para nossas vidas, pois é dela que depende o debate sobre os interesses públicos. É ela que trata sobre os preços dos produtos, sobre segurança, trabalho ou educação. Pela construção de uma praça ou uma nova escola.

    Porém, estamos acostumados a ver, ler ou ouvir casos de mau uso da máquina pública por politiqueiros profissionais que visão somente satisfazer o interesse próprio. É aqui que devemos ter cuidado. Politicagem não é política, mas sim uma ação reles e mesquinha de interesses pessoais, praticada principalmente por elites.

    Como diria Marco Aurélio, precisamos separar a parte podre da fruta e manter a utopia. Sair em defesa da política não é defender políticos ou as instituições que nos governam, mas sim uma defesa da vida coletiva e comunitária.

    Defender a política significa fugir ao fatalismo e dizer aos seres humanos que não precisamos viver eternamente na condição de governantes e governados, nem atormentados por governos que deles se descolam, assumem vida própria e contra eles se voltam.

    Aqueles que dizem que política não se discute ou que não gostam da política acabam sendo governados pelos que nela tem interesses, mesmo que muitas vezes escusos."

    By
    Diogo Fernandes
    Professor de Sociologia pela UFPB

    Este ano Aparecida define a eleição em SM!!

    Fabio Gallo

    ResponderExcluir

Seja bem vindo ao site Aparecida no Foco, deixe seu comentário.