sexta-feira, 23 de setembro de 2011

História de Fé: Apenas um “oi” numa visita simples...

22/09/2011
 Pe. André Luna, scj
“... quando via meu pai passando em frente à igreja, percebia que ele fazia o Sinal da Cruz...”
Quero recontar uma historinha, bonita e que me emociona – principalmente quando contada com simplicidade. Vou me lembrando de coisas bonitas da infância e da família. Acho que a saudade me trouxe esta história.
Um senhorzinho, gente boa, querido – o “Seu Zé” – religioso, trabalhador, homem bom que vivia pra sua família, de Missa dominical, fervoroso nas devoções católicas, tinha um costume diferente.
Desde mocinho, sempre que passava em frente à igreja fazia o Sinal da Cruz, mas, com um detalhe: tirava o chapéu da cabeça, fazia um gesto solene e dizia: “Oi, Jesus, aqui é o Zé, tá! To passando pra dizer que estou aqui e que está tudo bem”. Passava em frente à pracinha da Igreja, subia rapidamente os degraus, dava o seu “oi” e seguia pro trabalho. Isso era feito religiosamente todos os dias, com exceção do domingo que a conversa era mais prolongada.
O Zé fazia isso com muita simplicidade. Do jeito que ele tratava as pessoas, falava com Jesus, todos os dias. Quem não o conhecia acabava julgando o jeito “simplório” e até “desrespeitoso” de tratar Deus.
Todo tipo de comentário se fazia: “Não se fala com Deus como se fosse qualquer um...”; “Isso é oração de preguiçoso...”; “Deus tem mais o que fazer que ficar ouvindo recado de longe...”; “Esse Zé não tem jeito, tem tempo pra tudo, só não tem tempo pra Deus...”.
Quando voltava do serviço, podendo passar em frente à capela, ali da rua mesmo fazia o Sinal da Cruz e retornava pra casa. Os passos eram mais lentos pelo cansaço do dia, porém dava o seu “oi”: “Oi, Jesus, é o Zé de novo; to voltando pra casa...”.
Desde que me lembro por gente, quando via meu pai passando em frente à igreja, percebia que ele fazia o Sinal da Cruz – e, ainda faz, bem vivo. Crescemos vendo isso, eu e meus irmãos. Hoje é meu irmão quem continua e preserva essa tradição junto de seus filhos. Meu irmão, não pode ver uma igreja que se benze. Imagine só, quando ele for para uma visita às cidades históricas de Minas?! Eu, o filho padre,trouxe para mim outros costumes do pai e da mãe que tornei meus por valor e escolha.Mas, voltemos ao nosso velho Zé. Um dia o pessoal da praça da igreja, os taxistas, o pipoqueiro, todo mundo, estranhou que o Seu Zé não veio na segunda... E na terça, quarta, quinta-feira... “Uai! O que aconteceu com o Zé?” “Onde está o senhorzinho da oração apressada e econômica?”. Haviam se passado quatro dias e o nosso querido Zé estava internado na UTI num coma profundo – só Deus sabe o que tinha acontecido.
Graças a Deus algumas pessoas da Capela, tão logo souberam da situação, foram rezar com a família e chamaram o padre para ministrar o Sacramento da Unção dos enfermos. A situação era grave e sem volta. Quando o padre terminou de dar o sacramento da cura e do perdão, os olhos do Zé se abriram e brilharam olhando numa direção fixa. O padre e a filha caçula do Seu Zé falaram com ele e perguntaram se estava tudo bem, mas ele não tirava os olhos da porta. De repente, ele sorriu e parece que falou alguma coisa, mas não entenderam. Foi fechando os olhos, descansando, descansando até silenciar o corpo cansado e calejado pela vida.
Agora, a parte que só o Zé viu. Percebeu que entrou alguém no quarto, era um homem de branco, com um sorriso bonito e uma voz forte e calma. Aquele homem disse: “Oi Zé, vai ficar tudo bem meu amigo fiel. Eu vim visitar você. Eu sou Jesus, o Filho de Deus, que você visitava todos os dias...” E o Zé falou: “Jesus, me leva pra casa, eu estava com saudades...”. “Vem meu amigo, volta pra Casa, eu vim buscar você”.
E como eu falei que achava que a saudade tinha me lembrado esta história, digo que a saudade de Deus tem me provocado a querer estar mais com Ele. Preciso visitá-Lo todos os dias, para que no dia que eu mais precisar Meu Amigo e Senhor, Salvador e Mestre, venha ao meu encontro e me leve no seu abraço para Casa.

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